Apokalipse™

sábado, dezembro 10, 2005

Entrevista : IncrediBeats


Como e porquê IncrediBeats?

Apenas achámos piada e bastante adequado o trocadilho de Incredibles com Beat.

Porquê que escolheram super heróis como forma de manter o vosso anonimato?

Escolhemos identidades de super hérois, também por acharmos graça a esse conceito de super herois a produzirem beats. Não se trata de anonimato, trata-se apenas da identidade que escolhemos! Assim como Mc's têm o seu "nickname" nós adoptámos estes!

Depois do site estar online, muitas criticas foram despojadas em fórums de Hip Hop. Isso afecta-os de alguma forma?

Bastantes críticas foram dadas de facto! Felizmente muitas delas também positivas! Por um lado as críticas afectam-nos, visto que, trabalhamos para agradar Mc´s ou outros artistas que desejem ter algum dos nossos beats, mas por outro lado já estávamos á espera deste tipo de reacção (a negativa) por parte dos "portugueses". Parece ser um vício falar mal neste país.

Qual é a vossa opinião sobre isso?

É mesmo essa. As pessoas cá têm de abrir mais a mente e apoiar novos conceitos.

Apesar das imensas criticas, positivas e negativas, continuam com a mesma força e vontade de trabalhar em algo que acreditam?

Claro! Ainda mais até!

Com que regularidade têm vendido os vossos beats?

Temos vendido bastantes beats e muitas pessoas têm elogiado e apoiado a nossa iniciativa! Obrigado a todos os que nos apoiam!

Têm algum projecto para o futuro?

Sim, todos nós temos projectos alternativos sendo os incredibeats um deles.

Quais são os objectivos da Incredibeats?

Os incredibeats sao uma ekipa de produtores que tem como finalidade a elaboração de diversos projectos na area da producção, entre os quais este, que tem por finalidade angariar dinheiro para os nossos próprios projectos visto que bastante vezes nos pediam beats para comprarem. Nós pegámos nisso e levámos a ideia a outro nível.

Que opinão têm sobre o Hip Hop português neste momento?

O hiphop português já evoluiu mto ao longo dos anos, já tendo alguns albuns clássicos! Neste momento pensamos que o hip hop está numa fase "calma", sem grandes nem muitos lançamentos. Cremos que essa fase vá passar dentro de pouco tempo e voltaremos a ver a lançamentos de grandes albuns, de artistas mais "velhos" e de outros que começam a aparecer.

Que têm a dizer ás pessoas que vão ler esta entrevista?

Vão ao nosso site curtir uns beats e um mini rádio e no fim façam umas compras valentes. Obrigado a quem nos apoia e aprecia o nosso trabalho!!

http://www.theincredibeats.kom.pt/

domingo, novembro 06, 2005

Entrevista : Projecto Simbiose


Quando e como surgiram os Projecto Simbiose?

Projecto Simbiose foi formado em Junho de 2002 depois de cada um dos grupos em que estávamos terem acabado, decidimos fazer um som que era para o álbum a solo do Psycol Mantis, curtimos do resultado e continuámos a fazer sons e a ver-mos a reacção do people.

Foi uma longa batalha até conseguirem lançar o álbum Simbiose 2005?

Sim, desde que formámos o grupo tinhamos em mente lançar o álbum, procurámos editora e não obtivemos a resposta que queriamos, procurámos apoios só a Camâra Municipal de Almada se desponibilizou, decidimos fazer tudo por nós daí ter demorado mais algum tempo a sair, agora que o álbum já está aí, nem pensamos no trabalho que tivemos.

Com este álbum acham que atingiram a vossa meta?

Atingimos a nossa primeira meta, agora é continuar a trabalhar, e trabalhar, e trabalhar.

Qual é o próximo objectivo dos Projecto Simbiose?

Como grupo é mostrar o que fazemos e que gostamos de fazer, estamos a preparar o próximo álbum, já temos algumas coisas pensadas mas nada de concreto, estamos a lançar a compilação de Almada e estamos a ajudar outros grupos da Margem Sul. Pessoalmente é crescermos como pessoas, não chega só fazer um beat, umas rimas e cantar, temos que evoluir.

As criticas que tem recebido, têm sido positivas? Dá-vos mais vontade de trabalhar?

Temos recebido várias criticas, é claro, que quando alguém valoriza o teu trabalho, identifica-se com o que fazes e critica-te positivamente, isso motiva-te e dá-te força para continuares, então nesta altura em que conseguimos por o álbum cá fora, só queremos é continuar a mostrar o nosso som.

Conhecendo-os desde 2003, não me têm parado de surpreender, em termos de produção, empenho e qualidade. O quê que os Projecto Simbiose nos reservam para o futuro?

Mais empenho, mais qualidade e melhor produção, não chega lançar o 1º álbum e mantermo-nos assim, temos que fazer mais e melhor, mantendo sempre o nosso estilo, que é a base dos Projecto Simbiose.

Que opinião têm do actual estado do Hip Hop português?

O Movimento Tuga está muito bom. Está muito diversificado, já não há muito aquela cena de um grupo fazer uma coisa e os outros seguirem, cada grupo está a trabalhar à sua maneira o que só traz coisas boas ao movimento. Acho que não devemos imitar os U.S.A no que se refere a Beefs, cada um pode fazer a música que quer, ninguém tem que dizer que sou melhor ou pior, cada macaco no seu galho...

O quê que têm a dizer ás pessoas que vão ler esta entrevista?

Se és MC, acho que deves continuar a trabalhar e a melhorar as tuas cenas e quando achares que está pronto...mostra ao mundo! Se estás ligado ao Movimento de outra forma, estamos todos juntos na mesma luta, que é mostrar ao mundo a verdadeira cultura HIP-HOP!

Projecto Simbiose.










Entrevista cedida pela DaKlub.

Entrevista : Dj Kwan


Como surgiu o Dj Kwan?

O DJ Kwan surgiu em 1998, depois de alguns anos a ouvir Hip-Hop e a conhecer a cultura e as suas diferentes vertentes. Surgiu naturalmente porque já tinha gira-discos em casa há alguns anos, sempre gostei muito de música e já misturava. Comecei a “girar” com um crew de writters, os PRM, e depois de ver nos pratos pessoas como o DJ Nelassassin, Cruzfazder ou 30 Paus também me senti seduzido pelo deejaying na área do hip-hop.

Porquê o nome "Kwan"?

O nome Kwan é retirado de um dos meus filmes preferidos: “Jerry Maguire”. É uma palavra que foi inventada por um dos protagonistas desse filme cujo significado não gosto de desvendar. Prefiro que as pessoas vejam o filme e percebam por si.

Como apareceu a oportunidade de te aventurares no Turntablism?

Como já disse, eu já misturava e a partir de certa altura comecei a ligar-me mais a alguns amigos que faziam Graffitti. Uma coisa levou à outra e fui influenciado por alguns dj´s que já faziam scratch cá em Portugal...experimentei e apaixonei-me pelo “turntablism”...percebi logo que havia algo de diferente nesta arte e foi uma necessidade e um desafio para mim.

Vês com bons olhos a evolução do Hip Hop tuga? Das quatro vertentes do Hip Hop?

Acho que a evolução tem vindo a acontecer nas quatro vertentes, se bem que algumas têm mais exposição que outras. No caso do deejaying, e consequentemente, do turntablism nacional, acho que a divulgação é ainda muito superficial e há muita gente que não conhece o que se faz por cá. É pena porque temos turntablists de qualidade que continuam a ser ilustres desconhecidos para o público em geral.

O que podemos esperar do Dj Kwan para o futuro?

Para já os meus planos passam por voltar a fazer rádio, passam obviamente pela minha banda Mundo Complexo- concertos e segundo disco- e também por divulgar o turntablism em Portugal. Vão poder encontrar-me a tocar ao vivo com os MC, a tocar discos em festas e em campeonatos de turntablism enquanto eu me estiver a divertir, é claro. Quando isso deixar de acontecer dedico-me a outra coisa, mas vou estar sempre ligado à música e ao deejaying de alguma forma.

Quais são os teus objectivos como Dj?

Os principais são fazer as pessoas dançar e divertir-me, mas os meus objectivos passam também muito pelo turntablism e pela divulgação do gira-discos como um instrumento musical.

Achas que faltam mixtapes de Dj´s onde se divulgam os novos valores do RAP nacional?

Não sei...A mixtape tem vindo a desaparecer, mas existem outros meios de divulgar novos valores que antigamente não existiam. Hoje em dia, e com o auxílio da tecnologia, qualquer pessoa pode fazer um disco em casa e também já existem muitas publicações e outra atenção por parte dos media relativamente a esses novos valores e ao Hip-Hop em geral. Antigamente só existiam as mixtapes por isso acho que o problema não passa pela divulgação, que hoje é bastante melhor, mas sim pela simbologia da mixtape. Acho que seria positivo para os dj´s novos passarem por essa experiência que é fazer uma mixtape, até para perpetuar essa tradição tão antiga.

Queres dizer alguma coisa ás pessoas que te ajudaram? Dizer alguma coisa ás pessoas que vão ler esta entrevista?

Quero agradecer a todos os que me influenciaram e acreditaram em mim e dizer às pessoas que estão a ler esta entrevista: CARPE DIEM.

Dj Kwan.

quinta-feira, setembro 22, 2005

Entrevista : Dj X-ACTO



Como apareceu o DJ X-ACTO? Porquê esse nome?

Bom, lembro-me que quando era mais puto, na altura da primária e 5º, 6º ano tinha a mania de brincar com x-actos, de cortar tudo incluindo por vezes eu próprio... Mas pronto, essa mania depois passou-me, até que por meados de 1998 quando a Internet começou a ser uma realidade cá em Portugal descobri um programa de chat (mIRC) e precisava de um nickname. Não conseguia pensar em nada de jeito, e vá-se lá saber porquê, veio-me à cabeça X-ACTO! Já havia um nickname registado como X-ACTO então andei às voltas até que ficou [X-ACTO]. Podia ter desistido desse nome, mas pá, a ideia persistiu na minha cabeça e quis mesmo isso. Como gosto de música e DJing, foi só pôr o prefixo de DJ em X-ACTO. Curiosamente há bastante gente que pensa que eu tenho alguma coisa a ver com uma ex-banda Punk-Hardcore (Portuguesa) que se chamava X-acto, mas não tenho nada a ver com isso!

Como surgiu esse gosto por DJing, e porquê Hip-Hop?

Esta pergunta para muitos pode ser fácil de responder, mas para mim, sempre que tento arranjar a razão pela qual me interesso tanto pelo DJing, nunca consigo chegar a um consenso. Sei que a minha irmã ouvia muita música e eu habituei-me a ouvir também, lembro-me que o meu interesse por gira-discos começou em casa dos meus avós (quando eu tinha uns 8, 9 anos ) que tinham uma grafonola e eu de vez em quando punha os discos a tocar e quando ninguém estava por perto punha as minhas patas nos discos e só queria ouvir os sons ao "contrário". Daí que a dada altura estraguei a engrenagem da grafonola! Mas mesmo assim de vez em quando eu girava aquilo manualmente, curtia na mesma.
Por volta dos meus 14, 15, 16 anos, quando me apercebi o que era um DJ realmente, aquele que dá música e vida a um espaço dedicado à dança e convívio entre pessoas, comecei a reparar por mim próprio no material que os DJs usavam, e sempre me fazia confusão como é que os DJs faziam passagens e sincronizavam batidas e essas coisas todas, porque na realidade nunca havia conhecido nenhum ou visto um ao vivo! Mas por este motivo e curiosidade dediquei-me na altura bastante à cultura do Techno e Trance. Ir de propósito a uma loja de discos de Lembro-me de vinyl especializada em música electrónica somente para comprar um disco de techno em vinyl, porque para mim era incompreensível que naquela altura os DJs usassem vinyl para fazer passagens, sendo o vinyl uma coisa quase do passado. Mas pronto, lá comprei o meu primeiro vinyl e ouvi-o tantas vezes no gira-discos do meu pai até que acabei por avariar o giradiscos (já se sabe como). Como não tinha dinheiro nem percebia nada de gira-discos, comprei a minha primeira mesa de mistura em segunda mão a um amigo da minha irmã, comecei por fazer umas tentativas de passagens e misturas com um deck duplo de cassetes e uma aparelhagem, mas nunca consegui fazer nada de jeito. Só em 2000, quando estive a morar nos Estados Unidos é que comecei a entrar mais a sério na onda do DJing... Lembro-me de fazer muitos downloads de vídeos de DJs, e como consequência descobri os tais vídeos dos campeonatos da DMC, onde aí sim, saciei a minha curiosidade e entusiasmo por aquela coisa a que chamamos "SCRATCH"!
Foi quando comecei a sacar vídeos e músicas de DJs como o Q-Bert e Mix Master Mike e cenas assim, que comecei a entrar na onda do Hip-Hop mais a sério (sempre gostei de beats e breakbeats), mas só nesta altura é que senti a cena. Como que se algo dentro de mim se tivesse despertado!
Comprei então os meus primeiros pratos e agulhas tudo de tacada! Curiosamente, mesmo estando nos Estados Unidos, como não conhecia ninguém na mesma onda que eu, foi-a cme um tanto complicado ena de DJing por mim mesmo. Só quando voltei para Portugal é que comecei a investir mais na cena do scratching, até porque a dada altura arranjei material mais adequado.
Porquê Hip-Hop? Bom essa pergunta é facil de responder! Eu também passo Trance, Elektro, House / Hard-House / Tribal House. Não sou esquisito com a música. Eu tenho uns gostos que para muitas pessoas são bastante incompatíveis. Eu sou capaz de vibrar tanto com Goa-Trance como com Hip-Hop, e dou-me bem em ambos os ambientes! Porque afinal o que nos une é a música em si, pelas suas formas de expressão e sentimentos que despertam em nós. Se é por via de batidas frenéticas de Drum-N-Bass a 170BPMs ou por um pacifico Chillout isso pouco importa. Penso que as pessoas devem ser mentalmente abertas a outros estilos musicais, pois é por aí que se descobrem novos gostos, novas vertentes, novas experiências, quer sejam estilos antigos ou futuristas - a música pode e deve evoluir! Portanto a resposta é: E porque não Hip-Hop também?

A vida tem-te trazido coisas boas como coisas más. Como consegues ter força para as deixares para trás e seguires para a frente com a música?

Não tive muitas actuações, mas nas que tenho tido, em geral há sempre qualquer coisa que corre mal, SEMPRE! Muitas vezes tem a haver com problemas técnicos que dificultam a vida de quem vai actuar. Quer seja DJ ou MC. Parece que hoje em dia as pessoas que organizam eventos têm muito boa vontade mas quando chega a parte do material falha sempre qualquer coisa. Por vezes investem mais em chamar a atenção do público do que no evento propriamente dito ou em quem vai actuar. E se quem vai actuar não tem condições, as coisas não podem correr bem, se não correm bem, o público por sua vez não curte a cena. Se há coisa que aprendi até agora, é que, por mais amigo que seja a pessoa que está a organizar um evento, quando essa pessoa começa a desdizer coisas que disse anteriormente o melhor é cortar o mal pela raiz! Ou o encostas à parede ou saltas borda fora! Já tive desilusões bastante chatas e desnecessárias a meu ver, tudo porque o dinheiro sobe à cabeça das pessoas! Quem está a organizar um evento deve estar ciente dos riscos, custos e responsabilidades, mas acima de tudo não se deve NUNCA esquecer que o mais importante é o evento em si! A partir do momento em que o evento deixa ser a prioridade, todos os esforços são levados na direcção errada! O que me dá força para continuar é pura e simplesmente o gosto pelo DJing. As pessoas até podem não gostar do que faço, mas eu não pedi para gostarem, por isso "tasse bem"! Se as pessoas com quem me dou e que estão envolvidas em algo comigo gostam, isso é que interessa.

Agora com a Dama Bete sentes que atingiste a maturidade como DJ?

Não. Para tal é preciso ser-se reconhecido. E não o sou, nem acho que deva ser! Sinto que tenho muito a explorar ainda e muito para treinar! Conheço alguns DJs nacionais MUITO MUITO MUITO bons que com certeza merecem ser reconhecidos e valorizados e não o são. A minha ligação com a Dama Bete contudo vem a ser, na minha opinião, uma grande mais valia. A Bete é boa naquilo que faz! D­ás-lhe um beat e ela rima por cima que até te trocas todo, tudo isto com flow. Sim ela tem flowwW!
Quem é que não gosta de estar aliado a alguém que sabe o que está a fazer, com gosto e talento? Poder mandar uns scratches aqui e ali pelo entre as rimas dela d­á pica. Ahhh..! Sabiam que a Bete tem um bichinho por DJing também? Ahh pois é! Se forem ao site dela ( www.DamaBete.com ) está lá um beat produzido somente por ela que põe muitos de boca aberta!

Que nos reserva o DJ X-ACTO para o futuro?

Bom, gostava muito de puder realizar, com princípio-meio-e-fim a mixtape da minha crew “primária” (Primeiro Contacto), o nosso projecto tem vindo a arrastar-se indefinidamente, parece que o pessoal não se mexe. Sozinho não é possível. Tenho pena, porque os restantes elementos (Snap, Xua, Rocha) têm talento! Contudo há esperança pois aqui à uns anos atrás (curiosamente por causa de Trance) conheci um bacano (Filipe Santos) que, artística/técnica/sonoramente é das pessoas com mais talento que conheço, ele tanto produz Trance como Hip-Hop como qualquer tipo de música electrónica, não interessa o software! Ele domina mesmo a cena! E ultimamente tem vindo a ser bastante inspirador para nós com instrumentais e ideias. É pena ele viver na Irlanda, mas digamos que é também um elemento de Primeiro Contacto, o seu nome artístico na cena do Hip-Hop é Pipe. Como já disse antes, não estou só na onda do Hip-Hop...
Gostava também de puder levar avante um projecto de Trance / Chillout chamado GoaGadar que tenho com uns amigos meus,(Lost Buddha -versão Trance do Filipe Santos, Message To Earth / Smiley Pixie , Dream Gate / Omiq Project , GoaZé , TRL & Shaoly AKA Katximba Troopers , MoDu , Katharan , e outros...) com o qual já temos organizado festas e do qual fazem parte artistas com futuro!
Provavelmente assim num futuro mais próximo, vejo-me em criação de sons com 1oC, concertos com a Dama Bete e K-7 Skuad (Seth & K-Donna).
Futuras colaborações em DJing com o DJ Richard_S, tem-me ajudado bastante na área de House Music, costumamos tocar juntos em festas.
Curtia dar-me com mais pessoal na onda do Turntablism aqui na minha zona e quem sabe criar uma crew de turntablists. Abraços pó DJ SiZzA, DJ Ride, DJ ON, DJ Xuba, DJ Dizzy – moramos todos longe uns dos outros, é pena!
Acho importante mencionar aqueles que nos apoiam e que foram e são importantes no decorrer dos nossos objectivos por isso um big up para todos os que falei e que não falei mas que sabem com certeza que são importantes para mim.
Gostava de um dia ter o meu próprio estúdio, uma cena assim à maneira! Por enquanto vou investindo em mim próprio que é o mais importante!


Que opinião tens sobre o estado actual do Hip-Hop Tuga?

Sei que anda aí muito pessoal escondido e com talento, mas também há muita coisa feita à balda e feita simplesmente porque é relativamente fácil, hoje em dia, de arranjar um computador, um programa para fazer uns beats e ripar uns samples, um microfone e gravar cenas com relativamente boa qualidade sonora mas que no fundo a qualidade em conteúdo deixa a desejar. Há muito MC que desbobina isto e aquilo, e que é todo gangsta, underground, etc, etc, mas isso é o Hip-Hop? Se isso é o Hip-Hop estamos mal, eu vejo (porque sei das raízes) o Hip-Hop como uma “cena” que engloba um movimento em forma de expressão através das artes do Graffiti, DJing, MCing, Breakdancing, a maneira de vestir também, a maneira de falar também, não só pelas palavras caracteristicamente usadas mas também pela forma de expressão verbal e rítmica, que inicialmente começara por falar em dança, DJs, graffiti como que uma revolução artística, que progressivamente se tornou numa forma de expressão para falar dos males sociais e económicos. Mas daí a falar-se de “eu sou um mauzão, tenho uma gun num bolso e ‘verdinhas’ no outro” yadayadayada... É isso que realmente gostamos de ouvir? É isso que é realmente interessante? Não vejo mal nesse tipo de música, aliás, eu próprio oiço! O que quero dizer é que tornou-se um tema excessivamente batido, tanto que para muitas pessoas, o Hip-Hop é directamente associado à violência. Uma coisa que me intriga profundamente, é estar num evento de Hip-Hop no qual as pessoas presentes pagaram para entrar, e depois estão ali especadas a olhar com desprezo para o palco, como que se as pessoas que vão actuar tivessem culpa de alguma coisa. Eu não entendo... Se as pessoas pagam ou mesmo apenas estando presentes, supostamente estão lá para curtirem a cena e apoiarem os artistas! E muitas vezes não é isso que se vê. Não entendo o porquê, mas nem tudo é mau! Enquanto houver boas vontades e bons artistas (isso há!) há boas probabilidades de se fazerem bons eventos!! É preciso é ter em conta as boas condições tanto em palco como para o público.

Tens alguma coisa a dizer ás pessoas que vão ver esta entrevista?

Rap is something You do. Hip-Hop is something You live.

Dj X-ACTO

quinta-feira, setembro 08, 2005

Entrevista : Dj G.I. Joe

Porquê o nome G.I. Joe?

Longa história...para começar curtia mesmo os bonecos Gijoes (os brinquedos mesmo), depois começaram a chamar-me isso, nem sei bem porquê... Depois curti o sentido de soldado, deste movimento-street music.


O quê que te levou a arriscar numa mixtape com Mc´s novos e pouco falados?

Eu fiz este trabalho mesmo com esse objectivo, mostrar algo que de outra forma não iria sair muito facilmente, nem tinha intenções de lançar nada, mas com tantos valores á minha volta e pessoal muito bom e sem ser reconhecido senti-me "obrigado" (com muito gosto) a fazer algo com estes artistas "escondidos" que eu dou tanto valor, uns já são conhecidos, outros menos, mas isso não me interessou, visto a ligação ter sido feita por amizade, gosto pelo trabalho dos Mc´s, e contacto em concertos e na rua. São grandes artistas, com grande valor, com quem me identifico, merecem estar em mixtapes e muito mais, só fiz o meu dever! É assim que os Mc´s que estão no topo agora apareceram, a mixtape dá a conhecer valores que de outra forma é dificil sairem para fora da cidade deles.


O feedback da mixtape "Música de palavra" que tens recebido, dá-te mais vontade de continuar com projectos como esse?

Felizmente o pessoal tem curtido muito a mixtape, muito bom para os Mc´s que participaram, mas para mim o essencial é estes Mc´s terem curtido entrar no projecto e curtirem o resultado final, e nessa parte tenho recebido tambem boas criticas, isso sim dá-me vontade de trabalhar mais neste campo, embora esteja a trabalhar noutros projectos agora, pode ser que o próximo CD deste género( mixtape) saia com beats meus e daqui a não muito tempo.


Podes enumerar as coisas positivas que tiraste da mixtape "Música de palavra"?

Trabalhar com o pessoal que trabalhei, tocar com esse pessoal por aí em sítios muito bacanos, conhecer pessoas com muito valor pessoal, verdadeiras! Em termos de experiência foi óptimo para mim.


Como Dj, o que podemos esperar de ti para o futuro?

Só quero continuar a aprender com quem sabe mais e com quem sabe menos, mas que tem sempre algo a dizer! A sério só interessa evoluir, porque atingir um nível de topo e ficar por lá não interessa a ninguém...(penso eu), agora estou a trabalhar no volume 2 do CD do spell - Duelo mental. CD deste Mc em conjunto comigo, esperem para ouvir! Continuo a gravar sons com DGPG e o ppl, produção em massa! Estou a preparar algo na vertente instrumental (cd de beats) e vou fazendo sets para a rádio Rua Fm (Faro 102.7) que depois ficam disponíveis em http://www.artederua.com/ . De resto, concertos e o que vier.


Qual é o teu objectivo como Dj G.I. Joe?

Como disse na pergunta anterior, evoluir para me completar, tanto a nível de produção como a nível de turntablism(Dj). Não vivo da música nem o pertendo, portanto, é mesmo para fazer algo que gosto, não vou deixar de o fazer enquanto estiver motivado, e esta motivação , por enquanto é muita mesmo!!!


O Algarve tem ultimamente ganho várias referências, MC´s, DJ´s, compilações, organizações de concertos entre outras coisas. Achas que este "Boom" de quantidade e qualidade se vai manter? Que opinião tens sobre isto?

O Algarve apenas está a deixar sair para fora o que cá se vem a passar desde á muitos anos. É uma zona muito particular, em que se absorve muito o som que vem de fora e acontece muita coisa, mas não tem por hábito deixar sair o trabalho que se faz cá. Agora começam a mudar algumas coisas e isso nota-se nos CD´s que vão saindo, mas não é movimento novo, porque para quem cá está sabe que isto está muito forte e veio para ficar, como o Spell diz: Algarve está no mapa!


O que achas do Rap português neste momento?

Está forte, a quantidade e por vezes falta de qualidade do produto final é uma realidade mas não se deve muitas vezes aos autores destes trabalhos, deve-se sim á falta de método de trabalho para estes se fazerem ouvir. Antes ninguém tinha condições para gravar então o ppl lançava-se em mixtapes, e assim ganhavam nome e skills, agora toda a gente consegue gravar num pc, mas é complicado, o pessoal sem apoio e sem experiência e meios suficientes conseguirem um nível bom, ou seja se as mixtapes (reais - de Dj´s com scratch, misturas e muitos pratos a trabalhar - senão é uma compilaçao - não chamem mixtape só porque os beats são lá de fora, mixtape é obrigatoriamente feita por um Dj), os Mc´s podiam aparecer com melhores condições e havia uma melhor selecção. Em relação aos artistas já consagrados já está mais que falado. Portugal tem muito para dar e tem um nível muito bom, é só pensar no que se passou noutros países e conseguir levar isto para o caminho certo e não deixar levar para "maus caminhos".


Tens alguma coisa a dizer ás pessoas que vão ler a tua entrevista?

Primeiro vocês são loucos por lerem isto, eu não interesso nada a ninguém, oiçam é músicas da mixtape e fiquem atentos a todos esses nomes! Apoiem o HipHop português, não é demais dizer, saquem da net se quiserem (eu também saco coisas lá de fora) mas despois se curtirem comprem, eu compro o que gosto até porque compro vinil, mas português tento comprar o que posso, nem que para isso abdique de outras cenas ou de saídas á noite, se gostam apoiem, se não gostam, não mandem palpites porque o movimento está cheio de falsos pensadores, que não fazem nada. Queres que evolua, tens algo a dizer, então faz tu , nao mandes os outros fazer, vamos todos trabalhar, somos todos iguais! Basta ter street music no coração. Obrigado ao ppl que entrou na mixtape e que a tornou possível e a todos os que a ouviram.

Dj G.I. Joe.

A.S2 feat Dino - Sul

http://www.apokalipse.net/downloads/as2featdino-sul.rar

segunda-feira, setembro 05, 2005

Entrevista : Mandela


Porquê um nome tão carismático como Mandela?

A história do Mandela começou tudo quando ainda tinha os meus 6 anos, o people mais velho começou a tratar-me por Mandela, porque, o meu primeiro nome é Nelson, que faz lembrar Nelson Mandela. Quando eu começei a cantar achei um bom nome de MC porque é um nome soante e dificíl de esquecer.
Quero homenagear Nelson Mandela por ter sido ser humano, que fez muito pelo seu povo e pelo mundo, o que Nelson Mandela Falou e Lutou eu transpareço em algumas das minhas músicas.

Para quando um EP dos Mafia Niggaz? Sentes-te preparado para dar esse passo?

O cd de Mafia vai sair em breve, espero que esteja pronto para o próximo ano, mas ainda é uma incógnita, eu pessoalmente sinto-me mais que preparado para expôr as minhas músicas no mercado, tenho a minha confiança e a opinião já de algum público que incentivam cada vez mais a seguir em frente. Eu acredito em mim e no meu sucesso.

Começaste já á algum tempo, tens um videoclip e inúmeras músicas, o que nos reservas para o futuro como MC e Produtor?

Já lá vão 5 anos que tudo começou, já tenho a minha voz gravada em cerca de 50 faixas, só que ainda não foi nada exposto cá fora, porque, as faixas são de diferentes álbuns e estão todos em construção...O futuro vai começar quando lançar o meu álbum a solo, a partir daí estou a pensar produzir para fora da minha cidade se tudo correr bem, já estarei dentro do movimento no mercado e haverá muitas supresas e revelações espero eu.

Falas constantemente da aKa, o quê é isso? Porquê tanta referência a isso?

AKA significa Agualva-Cacém, AKA é a nossa marca, é a cidade onde eu cresci e vivo no presente, e como MC eu gosto de representar a minha zona, falando bem ou mal dela sempre ouvi dizer que até o paraiso tem livro de reclamações.

Sei que o Cacém se está a organizar em termos de Hip Hop, podes deixar-nos alguns pormenores do que aí vem?

Cacém tem muitos bons Rappers, tem o seu estilo próprio e em breve vão poder disfrutar dos álbuns de Camuflados, Mafia Niggaz, SoundFlavor (compilação), AKA Niggaz, Mandela(solo), M.B.(solo), Purfaz(solo), MC VIPE(solo), Domingues & Mandela e muitas compilações com Rappers do Cacém

O que achas do panorama do Hip Hop português no geral?

O panorama do Hip Hop português está muito bom, e tem vindo a crescer cada vez mais, pessoalmente acho que o Hip Hop nacional está muito fechado e a concentrar num só lugar e num só estilo, deveria haver mais variadade de flows e produtores, praticamente só temos uma camada de Mc´s e Produtores da mesma editora a dominarem o mercado nacional, penso que o Cacém chegou para mudar esse panorama.

Queres deixar alguma mensagem ou exprimir algo ás pessoas que vão ler esta entrevista?

Estamos a caminho!! É o que tenho a dizer para muitos que não acreditaram e não acreditam no nosso trabalho, nós somos a nova geração, a nova escola, trazemos uma nova sonoridade, trazemos algo diferente do Hip Hop tuga... Trabalhem muito e acreditem no sucesso...PEACE and ONE LOVE!

Mandela.

Mandela - No sta li na aKa

http://www.apokalipse.net/downloads/Mandela-Nu_sta_li_na_aka.rar

quarta-feira, agosto 31, 2005

Entrevista : Twism


Porquê que mudaste o nome de Odeo para Twism? Ambos os nomes têm algum significado?

Odeo vinha da palavra Odio, cujo significado está associado restrictamente a aspectos negativos do mundo em que vivemos, os quais nada me identifico passando uma imagem errada da pessoa que sou. Twism não é um nome inventado por mim mas tem um significado com o qual me identifico, The World Is Mine é uma filosofia de vida, um modo de encarar a realidade em que estou inserido, é um nome com uma energia positiva enorme e um sentido de conquista gigante de tudo o que me rodeia.

Depois de uma ausência ainda longa, surges com o Beats e Rimas. O quê que impulsionou para fazeres o Beats em Rimas?

A minha ausência foi o meu período mais intenso a nível de experiência de vida, foi o que me fez mudar em relação a tudo, em relação à vida. Para além de ter estado a juntar material e aos poucos ir montando o meu estúdio. Assim que tive o básico para começar comecei a idealizar uma colectânea na qual me estreava como produtor e na qual juntava pessoas que ao longo destes anos fui conhecendo e as quais eu admiro o seu trabalho. Serviu também para marcar e estrear o nome da Chocolate Bars no mercado, que é uma editora para as quais tenho muitos planos.

Como têm sido as reacções á compilação? Dá-te mais vontade de continuar a trabalhar?

As reacções têm sido 5 estrelas, tanto por parte das lojas como de quem ouve, estou super satisfeito, mas a minha vontade de trabalhar não vem daí. Eu vou fazer isto com ou sem reacção do público e apesar de todo o feedback que recebo Beats & Rimas é apenas o meu 1º trabalho a sério, o que nao quer dizer que nao foi feito à séria, porque foi e quem teve envolvido no projecto sabe disso. Só que como tinha o estúdio há pouco tempo houve algumas falhas nas gravações e apesar de não ser intencional sempre disse que não havia problema pois mostrava o meu trabalho mais em bruto. Mas serviu para aprender bastante sobre gravação e para futuros projectos. Mas só tenho a agredecer todo o feedback que recebo, seja por mail ou seja pessoamente.

Para quando um álbum a solo do Twism?

No próximo ano par.

O que podemos esperar de ti, no futuro, em termos de produção e como Mc?

Como ja referi estou a começar uma editora ( Chocolate Bars ) e já tenho alguns projectos para lançar. Todos eles para além de eu entrar como produtor entro como Mc, tendo em conta que os artistas da Chocolate Bars são em primeiro amigos e só depois parceiros musicais. Quero formar uma família musical com uma força e uma energia gigantes.

O Algarve está cada vez mais no mapa, para além de um dos nossos destinos de férias. A cada semana que passa algo novo surge no panorama do Hip Hop vindo do Algarve, Beats e Rimas, Atmosfera Hostil do Dezman, Música de Palavra do Dj JiJoe. Achas que o Algarve tornou-se autónomo nas coisas que faz? Será que no futuro continuará com esta qualidade e quantidade?

Eu só posso responder por mim e quando faço música não estou a pensar onde estou fisicamente apesar de referir muitas vezes o nome de Quarteira. Quero que a minha música seja universal e não catalogada como música de uma região do país. Hoje estou aqui e amanhã posso estar a morar noutro sitio...isso vai tirar-me credibilidade musical???NÃO, porque o que conta é o trabalho que mostras e o feeling que passas a quem ouve. Tudo o resto são pormenores. Onde moras, o que vestes, o que tens...pormenores! O que eu possuo a nível material qualquer pessoa me pode tirar, agora aquilo que eu sou e o que sei fazer ninguém consegue mudar quanto mais tirar me.

Como está o panorama do Hip Hop nacional na tua perspectiva?

Acho que está toda a gente á espera que algum boom os tire lá da cave onde ensaiam. A minha opinião é que isto que estamos a viver hoje é o que vamos ter por cá, para termos mais têm que ser os artistas a fazer por isso. Da minha parte vou fazer para que a Chocolate Bars cresça muito.

Por fim, o que tens a dizer ás pessoas que vão ler a tua entrevista?

Obrigado por todo o carinho que me dão, a todos envolvidos no Beats & Rimas aquele abraço. A todos os Dj's e Mc's cresçam por voçês, não tenham medo de mostrar que são diferentes porque quanto mais criativo e sincero for o vosso trabalho melhores resultados vão ter no futuro e façam por voçês em vez de esperarem favores de outros. Vamos todos crescer como uma grande família onde cada um cria e educa os seus "filhos". Dentro e fora da música todos os seres humanos tem uma missão cumprir que é fazer com que o AMOR vença a batalha contra o ódio. PAZ para todos!

Twism.

terça-feira, agosto 16, 2005

Entrevista : Tony Mc Dread



Porquê e como surgiu o Tony Mc Dread? E o porquê desse curioso nome?

Curioso? Pessoalmente acho os nomes artísticos sempre um pouco curiosos, porque são nomes que nos identificam nas ruas por algo que fazemos e queremos reconhecimento através da encarnação desses personagens que criamos.
Tony Mc vem do meu nome como mestre de cerimónias, Dread foi o nome que escolhi devido á descontracção no microfone desde o meu antigo grupo.
Surgiu como todos os MC´s, da vontade de transpor para o papel o que venho sentindo e pensando, dessa vontade aparece a vontade de gravar e partilhar com as pessoas as minhas ideias.


Com quem te identificas a nível musical e porquê?

Procuro fazer música que por sua vez se reflete no Hip Hop actual, procuro influências da Old School, Jazz, Funk, e algum Soul mas se for para falar em bandas grupos ou MC´s falo em The Roots e Krs One claro!
Gosto de grooves, notas e melodias bem construídas o que talvez daí se possa chamar de boa música que nos encaixe no ouvido e permita ao MC rimar o seu texto.


Depois do álbum "100 Papas na Língua", achas que cresceste como Mc depois do lançamento do álbum? O lançamento do álbum mudou algum aspecto do teu quotidiano?

Não acho que tenha crescido como MC, mas acho que acresce-me a responsabilidade do que eu venha a fazer de futuro, porque, quando se partilha um registo discográfico gera-se a expectativa que pode ou não ser satisfeita e por isso requer maior cuidado.
Este disco trouxe algo mais ao meu dia a dia mas não o suficiente para alterar a minha forma de viver, “same shit, diferent day”!


Quais são os teus objectivos para o futuro?

Pretendo continuar a minha caminhada no Hip Hop Tuga, dar o meu melhor e contribuir para o desenvolvimento musical, e apoiar em todas as vertentes no que puder, em prol da cultura Hip Hop.

Acreditas que o Hip Hop Tuga está a ir no bom caminho?

Acredito que sim, apesar de as coisas aqui acontecerem muito lentamente, e muitas vezes não surgirem da melhor forma.
Mas a margem de progressão é enorme e mais tarde ou mais cedo o "boom" que vem acontecendo vai acabar por ser sustentado por uma continuidade sólida.

O que achas que falta para o Hip Hop atingir o pleno?

No meu ver o que falta ao nosso Hip Hop é um pouco de maturidade, de mais entrega e 100 contrapartidas, falta um núcleo duro de onde provêem as vertentes do Hip Hop e o mesmo respeito e união entre os intervenientes dessas vertentes. Falta-nos o conhecimento da existência desses elementos pelos media, público e todas as pessoas que se estão a interessar pelo fenómeno Hip Hop, só assim será possível passar a mensagem universal feita nas ruas em vez de ser nas estações de rádio e tv.

Queres dizer alguma coisa ás pessoas que vão ler a entrevista? Agradecer a alguém?

Nada de muito além do normal, só quero que o pessoal continue a acreditar, no fundo é esse o meu reflexo como MC, e vamos acreditar que a união faz a força. Agradeço ao vosso blogspot por existirem e preocuparem com o rumo das coisas porque essa sim é uma forma de desenvolvimento em que eu acredito e bastante; mantenham-se atentos!!

Tony Mc Dread.

quarta-feira, agosto 10, 2005

Entrevista Verbo Deville


Podes explicar-nos o motivo de fundares com mais alguns membros a Alto Kalibre? E porquê o nome Alto Kalibre?

Bem acho que um dos principais motivos que me levaram a criar a Alto Kalibre foi o facto de na altura em que decidi dedicar-me ao HipHop como MC e deixar o mundo do Graffiti, sentir que não havia qualquer espécie de apoios para os rappers da Nova Escola, a Alto Kalibre surgiu com o objectivo de ajudar os artistas deste nosso movimento cultural, naquilo que nos é humanamente possível. O nome Alto Kalibre vem do facto de só agenciarmos artistas com skillz e não por amizades, é claro que com o tempo acabamos por nos tornar amigos mas de ínicio só procuramos nos rappers skillz e muita vontade de trabalhar no HipHop. Ou seja o nome Alto Kalibre vem do simples facto de todos os nossos artistas serem “armas de alto kalibre” em talento e com muito para dar ao HipHop Nacional.

No principio parecia que a Alto Kalibre não tinha muito para dar em termos de músicos agenciados, agora é uma das Agências/Promotoras de Eventos com uma das bases mais sólidas em termos de artistas agenciados, Recruta, Crossover, Complemento Directo, SP, Movimento Perfeito, Indrominado, Criatura, Jam e Projecto Simbiose. Conta o porquê da tua persistência e confiança para com estes artistas. O tempo "perdido", o dinheiro gasto, tudo isto valeu a pena?

Mano quando fazes aquilo que gostas e sentes que estás a conseguir contribuir para um movimento que amas, tudo vale a pena. Não me arrependo nem um pouco de tudo o que fiz pelos rappers da Alto Kalibre, só tenho pena de não ter conseguido fazer mais ainda por eles. Mas como no mundo actual nada se faz sem dinheiro, e infelizmente dinheiro é algo que não temos com fartura. Mas todo este esforço por parte dos membros da direcção da Alto Kalibre (eu, Sniper, Morgana, Discípulo) acaba por valer mesmo muito a pena quando vemos orgulhosos os nossos artistas a darem provas do seu trabalho, o SP por exemplo é dos artistas underground mais requesitados na tuga, o albúm dele vai ser uma verdadeira bomba, Indrominado já lançou Ep’s e está neste momento a preparar uma compilação que vai sair com DVD e tudo.Projecto Simbiose vão lançar o seu albúm ainda este ano e vai ser sem dúvida um GRANDE albúm, acredita!! Movimento Perfeito são dos grupos com mais consistência que conheço e a vontade de trabalhar e talento deles ainda os vai levar muito longe. O Jam é dos gajos mas intervencionistas que conheço e tem um flow deveras espantoso, o Criatura então meu Deus, cada som dele é um verdadeiro míssil, epá no fundo cada um dos rappers/grupos da Alto Kalibre tem algo que os torna simplesmente únicos. Eu pessoalmente sou fã deles todos. Por isso a minha resposta é: VALEU A PENA E MUITO!

Sem muitas ajudas a A.K. têm-se mantido forte como colectivo, como mantêm esse força?

Muito amor ao HipHop e principalmente muita união, porque a Alto Kalibre é mais que uma simples Agência e Promotora de Eventos, É UMA FAMÍLIA!

O que nos reserva a Alto Kalibre para o futuro?

Muito HipHop, rappers que sabem o que fazem, não andam nisto só pra se gabarem ao contrário de muitos. Mas basicamente muito HipHop para aqueles que amam verdadeiramente esta cultura.

É oficial a parceria com a Suburbana Records, qual o motivo dessa parceria? Traz vantagens?

Bem o motivo desta parceria são os ideais da editora serem muito semelhantes aos da Alto Kalibre, o que faz com que exista sintonia entre ambas as empresas. Vantagens? Epá para já os artistas da Alto Kalibre vão todos entrar na compilação da Suburbana Records o que é uma grande vantagem, de resto só o futuro dirá. Mas acho que a parceria entre nós será muito proveitosa para ambos.

Não só és um dos responsáveis pela Alto Kalibre como também és um dos artistas agenciados. O que nos aguarda vindo dos Complemento Directo?

Dos Complemento Directo tudo o que podes aguardar é muito HipHop com consciência e muita vontade de contribuir artiscamente para o movimento HipHop. E quem sabe daqui as uns tempo quando acharmos que está na altura, talvez um Ep na street para o pessoal ouvir o que se faz no QUARTEL STUDIO!

O que achas do panorama do Hip Hop nacional? O que poderia ser feito?

Na realidade o HipHop tuga tem neste momento tem mais força do que alguma vez teve, mas também tem muita coisa que podia ser evitada, refiro-me a haters, pessoal que só quer é levantar aí beefs á toa, pessoal que ainda não rima nada e já querem ser agenciados e editar cenas, epá o pessoal tem de começar a ter consciência daquilo que vale, antes de começar aí a pedir favores que é para não fazerem figuras de parvos e não darem mau nome á nossa cultura. Ainda há muito para ser feito, mas isso vem da consciência de cada um de nós que de alguma forma participa no HipHop Tuga, temos de começar todos a falar menos e a fazer mais, se é que me entendes.

Queres dizer alguma coisa ás pessoas que vão ler esta entrevista?

Pessoal apoiem ainda mais o HipHop Português, comprem os albuns vão ás festas, apoiem os artistas que vocês gostam!Mas nada de groupies!
Epá a sério o HipHop ainda tem tanto para dar, só precisa mesmo do apoio de quem curte e entende o estilo, o movimento, a cultura. Thanks Marco pela entrevista ainda que continue a dizer que não percebo porque raio me quiseste entrevistar, mas tá-se bem, és mano. Quando precisares de alguma cena já sabes dá a dica!
Big up pra todo o pessoal do move! ~

Verbo Deville

segunda-feira, agosto 08, 2005

Entrevista Royalistick



Como nasceu e qual o significado de Royalistick?

Não acredito que estas coisas tenham que ter um significado que te caracterize de alguma forma. É acima de tudo um nickname como qualquer um, mas acho que posso dizer que se debruça sobre a forma com que faço música, ou seja, royalistick de realistick.....mas Royal que é como que diz....realmente realístico!

Com que objectivo cantas?

Sem objectivos. Acho que em determinada altura da minha vida acreditei que seria por motivos de querer transmitir algo de mim ou da minha visão das coisas, neste momento, é apenas pela vontade e como diz o Nas : “i learn´d with some niggaz this is all bizness”.

Quais são as tuas ambiçôes, a curto e a longo prazo?

A curto prazo quero editar o meu álbum “Visão periférica” e ajudar o meu boy Madkutz a por umas mixtapes back in the days nas ruas...A longo prazo, criar um logo capaz de assegurar a continuidade do hip hop a sério em Portugal.

Foi dificil chegar onde chegaste? Tiveste o apoio de alguém?

Não acredito que tenha chegado a algum lado ainda...e possivelmente não chegarei porque no que toca a ganharmos estatuto é tudo efêmero...tens estatuto e reconhecimento um ou dois meses depois morres...quanto a apoios tenho quem me ajude e quem finja que me ajuda.

Pretendes mudar, influenciar alguém com as tuas músicas?

Só podes ajudar quem quer ser ajudado e não tento chegar á força a ninguém!...eu faço...está disponível....quem quiser ouvir ouve...quem quiser levar a sério leva!...

Qual é o teu sonho no mundo do Hip Hop?


O meu sonho é não me deixar levar em sonhos...os sonhos não nos levam a lugar nenhum!...

Se tivesses 3 desejos, quais seriam?

Criava um decreto lei a proibir a rápida ascensão no Rap tuga á pala dos beefs, comprava a Sotrop e só editava merdas wacks com esse logo.....e tirava todos os artistas Sotrop para a minha label...o que como é óbvio vai acontecer!

Tens alguma coisa a dizer às pessoas que vão ler esta entrevista?

Yes indeed!... O hip hop tuga está em mudança...escolham o vosso lado que as coisas não voltarão a ser as mesmas!